quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A importância da faxina

Você é o tipo de pessoa que posterga a faxina para terceiros. Nunca gostou da ideia de pegar numa vassoura, tirar pó dos móveis, desinfetar a privada. Essas atividades não são vistas por você como parte de um cuidado com o lugar que vive, eram simplesmente a parte ruim da vida em que é melhor pagar alguém para fazê-lo. Muitas pessoas pensam assim. Neste país, a cultura da empregada doméstica permanece com força. Não estou dizendo que não podemos ter ajuda ou que a limpeza deva ser feita pessoalmente sempre. Estou dizendo que tem uma qualidade no ato e na ideia de limpar que é preciso exercitar. Limpar não é só tirar sujeira, marcas poluídas, jogar coisas fora. Limpar é se conectar com uma energia de renovação. Limpar é olhar para tudo com novos olhos, de organização, de lustro, de apuro. É um ato de amor. Em minhas limpezas, acabei trazendo a importância dos cheiros, de limpar também o que não se vê, de criar um clima de paz. O ato físico de limpar desvela um estado psíquico de conforto, de tranquilidade, de fazer bem feito.

Bom, até aí, tudo bem. Mas o que é bem importante é perceber que a limpeza da casa reflete a limpeza interior. Pode parecer cliché, mas não é. Estar rodeado de bonitezas, de criatividade, de paz, transforma humores. Vamos aprendendo nesse exercício a limpar nós mesmos, a enxergar e a agir, a transformar, a usar o esforço para fazer diferente, fazer melhor. Por isso não acredito que a faxina é algo menor, algo somente a ser pago e nunca vivido. É algo que pode ter o brilho meditativo de se conectar com coisas importantes. Pode-se pagar, pode-se evitar de fazê-la muitas vezes. Mas não se deveria concebê-la como algo desnecessário de ser feito por causa de nossa falta de tempo ou por nossa preguiça e cansaço. Tem um aprendizado aí que pode revelar muito a maneira com que nos colocamos no mundo.

Limpe e limpe-se.

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